RODRIGO BORGES concede abono e categoria reage: ‘Isso é desvalorização’
Foto reprodução A decisão do prefeito Rodrigo Borges de conceder um abono financeiro aos servidores municipais provocou forte reação entre profissionais da rede, especialmente da Educação. O benefício, anunciado após o encerramento do ano letivo, prevê o pagamento de R$ 1.500,00 para quem recebe até R$ 2.000,00, R$ 1.000,00 para quem ganha até R$ 5.000,00 e R$ 500,00 para quem recebe acima desse valor.
O anúncio, porém, veio acompanhado de uma exclusão que rapidamente se tornou o centro da polêmica: os servidores temporários — que tiveram seus contratos encerrados no fim do ano — não receberão o abono.
Exclusão dos temporários gera indignação
A medida foi recebida com indignação. Em grupos de WhatsApp de profissionais da rede, muitos classificaram a decisão como “covardia”, lembrando que grande parte dos contratados atuou intensamente ao longo do ano, contribuindo para resultados relevantes nos índices educacionais do município.
Alguns servidores destacaram ainda que muitos desses profissionais foram apoiadores da campanha do atual prefeito, o que ampliou o sentimento de frustração.
A revolta também se intensificou pelo fato de a própria administração afirmar que a Educação dispõe de R$ 12 milhões a mais, garantidos devido ao processo de escolha democrártica de diretores — justamente a secretaria que mais depende de servidores contratados via processo seletivo. Soma-se a isso a terceirização implementada em 2025, que, segundo a própria gestão, gerou alívio na folha de pagamento.
Critérios de pagamento também geram questionamentos
Além da exclusão dos temporários, o critério de valores do abono também foi alvo de críticas. Embora o pagamento maior para quem ganha menos seja, em tese, uma medida de justiça social, parte dos servidores efetivos considerou a decisão desvalorizadora.
Uma servidora, com anos de carreira, resumiu o sentimento de muitos colegas:
“Eu me capacitei, estudei, me dediquei para ter um salário maior. Agora vou receber um abono menor? Onde está a valorização de quem se qualifica e se dedica ao serviço público?”
Outro servidor também questionou o motivo do prefeito para deixar os contratados de fora. Segundo ele, se o município afirma ter recebido mais recursos para a Educação, não faria sentido excluir parte da categoria, já que seria possível utilizar a sobra do Fundeb para realizar um rateio mais amplo. Para esse profissional, a decisão revela uma escolha política e econômica, não uma limitação financeira.
Ensino Integral reacende críticas à Semed
Paralelamente ao debate sobre o abono, a Secretaria Municipal de Educação voltou a ser alvo de questionamentos. O motivo agora é a implantação recente do Ensino Integral em algumas unidades da rede. Professores relatam que, com o novo modelo, terão de cumprir uma hora adicional por semana destinada ao planejamento pedagógico — tempo que, segundo eles, não está contemplado na remuneração.
A mudança ampliou o clima de insatisfação entre os profissionais, especialmente entre os contratados, que já se sentiram desvalorizados ao serem excluídos do abono. Um servidor resumiu o sentimento da categoria:
“Deixam os contratados sem abono e ainda querem que trabalhemos de graça?”
Segundo relatos, muitos docentes afirmam estar considerando abandonar o contrato, alegando que as novas exigências aumentam a carga de trabalho sem qualquer compensação financeira ou reconhecimento institucional.
Clima de insatisfação cresce na rede
A soma das insatisfações — abono restrito, critérios contestados, exclusão dos temporários e mudanças no Ensino Integral — reforça um clima de desgaste entre servidores e administração municipal. Para muitos profissionais, o abono, que poderia ter sido um gesto de valorização, acabou se transformando em mais um elemento de desgaste da imagem do prefeito Rodrigo Borges perante o funcionalismo público.







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