JACIARA LYRIO: o maior calcanhar de Aquiles do prefeito Rodrigo Borges
Com escolas em crise e servidores descontentes, a condução da Educação de Guarapari não apenas se distancia das promessas feitas em campanha, como, segundo profissionais da rede, vem destruindo o legado educacional deixado pelas gestões anteriores.
Foto reprodução A Secretaria Municipal de Educação de Guarapari inicia 2026 já está envolvida em novas polêmicas. Logo no começo do ano, a gestão de Jaciara Lyrio volta ao centro das críticas ao lançar mais um processo seletivo questionável, reacendendo a insatisfação de servidores e ampliando o desgaste junto à comunidade escolar.
Entre servidores, é comum a avaliação de que a Secretaria de Educação se tornou o verdadeiro calcanhar de Aquiles do prefeito Rodrigo Borges, que chegou ao cargo prometendo uma gestão inovadora e voltada para a valorização dos profissionais da educação. Na prática, porém, relatos apontam um cenário oposto: críticas constantes à condução da pasta, insatisfação generalizada e denúncias recorrentes em relação a Semed. Para muitos profissionais da rede, a distância entre o discurso de campanha e a realidade vivida nas escolas nunca foi tão evidente.
Novo edital para diretores amplia questionamentos
A publicação do edital 014/2025, para escolha de diretores municipais reacendeu críticas. O documento inclui escolas cujos gestores haviam sido indeferidos no processo seletivo anterior, que foram posteriormente nomeados pelo Prefeito e altera os critérios de impedimento, restringindo as faltas injustificadas e processos administrativos apenas ocorridos no ano de 2025.
A mudança, vista por profissionais como uma flexibilização significativa em relação ao edital anterior, gerou interpretações de que o novo formato poderia favorecer determinados candidatos, inclusive apoiadores do prefeito que figuraram como INAPTOS no processo seletivo anterior. O processo é exigência do MEC para garantir quase R$ 12 milhões em recursos do Fundeb, conforme divulgado pela própria prefeitura em seu site oficial.
Processos seletivos contestados e desgaste com a comunidade
O primeiro processo seletivo, realizado em janeiro de 2025, já havia sido alvo de manifestações de profissionais e moradores, que pediram a permanência de diretores e anulação do pleito. A lista de aprovados precisou ser retificada, o caso chegou ao Ministério Público e candidatos recorreram à Justiça, obtendo liminares para garantir participação e nomeação.
Além disso, a posse dos novos diretores ocorreu no início do ano letivo, o que, segundo servidores, prejudicou substancialmente o planejamento das unidades escolares.
Apesar do discurso de gestão democrática, comentários recorrentes entre profissionais da rede apontam que os diretores eleitos trabalham sob constante pressão. Segundo relatos, a autonomia prometida não se concretizou: decisões rotineiras são frequentemente questionadas e, em alguns casos, até anuladas pela própria Secretaria. Além disso, diretores afirmam enfrentar falta de recursos até para a manutenção básica das unidades escolares, o que limita a capacidade de gestão e compromete o funcionamento diário das escolas.
Um ano marcado por falhas operacionais e ausência de entregas
Relatos de profissionais da rede apontam que 2025 foi marcado por problemas recorrentes, entre eles:
• falta de merenda escolar;
• falta de materiais básicos de papelaria;
• ausência até de itens simples, como pó de café e açúcar;
• falta de material de reposição como lâmpadas e filtros de bebedouros;
• escolas alagadas e com vazamentos durante o período de chuvas;
• atraso na entrega dos uniformes adquiridos em licitação milionária;
• dificuldades na reorganização da Educação Especial, que gerou manifestações de mães e de profissionais.
Um dos maiores problemas apontados por servidores é o calor excessivo nas salas de aula. Muitas escolas precisam de reformas básicas que não foram realizadas ao longo de 2025. Banheiros vivem entupidos por falta de manutenção adequada da rede hidráulica, gerando transtornos diários para alunos e profissionais. Em várias unidades também faltam coberturas nas áreas externas, o que expõe estudantes à chuva e ao forte sol durante deslocamentos internos, comprometendo atividades pedagógicas. Esses problemas estruturais contrastam com as promessas feitas pelo atual prefeito, que, quando vereador, visitava escolas criticando exatamente essas condições e afirmando que a climatização e a melhoria da infraestrutura seriam prioridades — algo que, segundo profissionais da rede, não se concretizou.
Educação integral imposta sem diálogo amplia desgaste e expõe falhas de planejamento da Semed
Para fechar 2025 com ainda mais desgaste, a Semed encerrou o ano implementando, de forma considerada nada democrática por pais e profissionais, o sistema de educação integral em diversas escolas municipais. A mudança repentina gerou indignação, protestos e uma série de manifestações. Em alguns casos, após forte pressão da comunidade, a decisão foi revista; em outros, permaneceu inalterada, ampliando o clima de insatisfação.
A implantação do novo modelo provocou longas filas em várias unidades, com famílias buscando vagas no ensino regular. Pais relataram que a situação era absurda, especialmente porque muitos estudantes haviam passado toda a infância naquela mesma escola e agora corriam o risco de serem deslocados para bairros distantes. Houve responsáveis que chegaram a afirmar que dormiriam na porta das escolas para garantir uma vaga para seus filhos.
Para profissionais da rede, o episódio expôs o que classificam como amadorismo da Semed na condução de uma tarefa considerada básica e rotineira no calendário escolar, agravando ainda mais a percepção de desorganização que marcou o ano.
Decisões administrativas ampliam críticas internas
Ao assumir o cargo, Jaciara Lyrio afirmou que reorganizaria a Educação de Guarapari. No entanto, segundo relatos, a dispensa de servidores para substituição por apoiadores políticos acabou engessando o funcionamento da pasta. Parte desses profissionais precisou ser recontratada posteriormente, para dar conta do trabalho da secretaria, aumentando a folha de pagamento — justamente uma crítica feita à gestão anterior.
A criação de novos cargos, incluindo duas subsecretarias, também gerou questionamentos sobre o aumento de despesas desnecessárias.
Promessas não cumpridas e atrasos em políticas de valorização
No início de 2025, a secretária e o prefeito Rodrigo Borges anunciaram valorização dos profissionais da Educação. Porém, o reajuste do piso do magistério só foi aplicado no segundo semestre, com retroativos parcelados até 2026, prejudicando a própria valorização que havia sido prometida.
A comissão criada para reestruturar o plano de carreira do magistério, segundo fontes, não chegou a realizar sequer a primeira reunião, e servidores afirmam que a composição foi definida sem diálogo com a categoria. Agora, com a expectativa de que o MEC anuncie um novo piso nacional já em janeiro, cresce entre os profissionais do magistério a preocupação de que Guarapari, mais uma vez, demore a fazer as correções necessárias, repetindo o atraso que marcou o ano anterior e comprometendo novamente a tão anunciada valorização.
Contratos e licitações sob debate
Alguns processos licitatórios chamaram atenção ao longo do ano:
• contrato de quase R$ 6 milhões para compra de uniformes escolares;
• licitação de R$ 2.802.137,13 para realização do desfile cívico municipal;
• terceirização de merendeiras e auxiliares de serviços gerais, que resultou na perda de emprego de diversos servidores.
Vereadores se calam enquanto a crise se agrava
Em meio a tantos problemas, um ponto tem causado ainda mais indignação entre servidores e famílias: o silêncio quase absoluto da Câmara Municipal. Mesmo diante de denúncias, falhas operacionais e decisões desastrosas da Semed, os vereadores — que historicamente mantêm influência direta sobre cargos de coordenação em diversas escolas — permanecem calados. Para profissionais da rede, essa omissão não é coincidência: trata‑se de um silêncio conveniente, que protege interesses políticos enquanto a Educação Municipal afunda. Nos corredores das escolas, a pergunta que mais se ouve é por que aqueles que deveriam fiscalizar o Executivo e defender a comunidade escolar preferem ignorar a crise. A sensação predominante é de abandono, como se a rede municipal estivesse entregue à própria sorte enquanto o Legislativo finge não ver o caos que se instalou.
Comparações com gestões anteriores intensificam a pressão
A gestão atual é frequentemente comparada às administrações anteriores. Jaciara Lyrio sucede Tamili Mardegan — doutora em Educação, servidora de carreira e responsável por entregar a Semed com resultados nunca antes alcançados na rede municipal:
• 1º lugar no Prêmio Band Cidades Excelentes 2024 na categoria Educação;
• Melhor resultado da Grande Vitória na avaliação nacional de alfabetização;
• Destaque regional no IDEB;
• Selo Ouro no Compromisso Nacional com a Alfabetização;
• Entrega de inúmeras novas escolas e creches.
Conclusão: permanência no cargo levanta questionamentos
Segundo relatos de servidores e observadores da área, Jaciara Lyrio chegou ao cargo indicada pelo deputado federal Amaro Neto, sem histórico de trabalhos relevantes em gestão pública. A secretária prometeu uma transformação que, na avaliação de profissionais da rede, está longe de se concretizar.
No debate público, surgem questionamentos sobre o impacto político dessa indicação e sobre a expectativa de que a secretária, em retribuição, possa contribuir eleitoralmente para o deputado que a apoiou. Entre servidores, a percepção predominante é de que Jaciara não conseguiu entregar resultados significativos, não conquistou apoio interno e enfrenta resistência devido à sua postura nada simpática, além de ser considerada pouco acessível.
Diante da ausência de entregas relevantes, da falta de apoio da categoria e das críticas sobre sua capacidade técnica, permanece a dúvida que circula entre profissionais da Educação: o que, afinal, ainda sustenta a permanência de Jaciara Lyrio à frente da Secretaria Municipal de Educação de Guarapari?
Diante do cenário acumulado ao longo de 2025, cresce entre servidores e analistas locais a discussão sobre qual será o próximo passo do prefeito Rodrigo Borges. Para muitos, o governo chegou a um ponto de inflexão: ou o prefeito toma uma decisão firme para reverter o desgaste na Educação, ou assume o risco de ver a pasta entrar em colapso definitivo. Os comentários mais frequentes apontam que a solução passaria por uma intervenção direta na Secretaria Municipal de Educação, com a substituição da atual gestão por alguém com capacidade técnica comprovada e condições de reorganizar a rede.
No entanto, essa possível mudança não é vista como simples. A indicação de Jaciara Lyrio é associada ao apoio político do deputado federal Amaro Neto, e qualquer alteração na chefia da pasta poderia gerar impactos nessa relação. Servidores comentam que o prefeito se encontra diante de um dilema: preservar a aliança política que sustenta parte de sua base ou priorizar a recuperação da Educação Municipal, mesmo que isso provoque ruídos com o grupo que indicou a secretária. Para muitos profissionais da rede, a forma como Rodrigo Borges conduzir essa decisão será determinante para definir se 2026 repetirá os problemas do ano anterior ou marcará o início de uma reconstrução necessária.







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